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O LIVRO DE CESARIO VERDE
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O LIVRO DE CESARIO VERDE

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O LIVRO DE CESARIO VERDE

CESARIO VERDE

Para a vida e para a morte.

Tenho de fallar de mim se eu pretendo fallar de Cesario Verde. Elle
nao teve desde aquelle dia--ha treze annos--maior amigo do que eu
fui; e sobre esta mesa onde eu estou escrevendo as 10 horas da
noite d'este formidavel dia glacial--20 de Julho de 1886 dia do
seu enterro--sobre esta mesa onde eu estou escrevendo tenho estas
palavras suas de ha poucos dias:--"E como se de o caso de tu seres
o mais dedicado dos meus amigos..." Tenho aqui essas palavras:
ellas constituem a justificacao dos meus solucos de ha poucas horas
alli no cemiterio visinho onde elle dorme--o Cesario!--a sua
primeira noite redimida...

Eu fui pois a luctar nas grandes batalhas da Desgraca n'aquelle
anno para mim terrivel de 1874. Fui-me a dezenas de leguas de
Lisboa. Elle ficou. E no dia em que eu medi forcas com as avancadas
do meu destino a inquietacao invadiu o espirito e o coracao de
Cesario Verde por modo que ja eu assoberbara com o meu desprezo
a desventura pertinaz e ainda elle nao vingara libertar-se do peso
de seus cuidados e afflicoes. Durante annos escreveu-me centenares
de paginas--commentarios sobre os meus infortunios conselhos do
seu espirito lucidissimo sobresaltos do seu coracao fraternal. Um
dia trocamos estas palavras:--"Como tu tens tempo meu amigo para
soffrer tanto!"--"Como tu tens tempo meu amigo para me acompanhar
no soffrimento!".

E indispensavel ter conhecido intimamente Cesario Verde para
conhecel-o um pouco. Os que apenas lhe ouviram a phrase rapida
imperiosa dogmatica mal podem imaginar o fundo de tolerancia
espectante d'aquelle bello e poderoso espirito. Elle tinha o furor
da discussao--a toda a hora. Eu careco de preparar-me durante horas
para a simples comprehensao. As exigencias do meu caro polemista
irritavam-me. Eu respondia ao acaso; mas acontecia por vezes que o
sorriso ligeiramente ironico do perseguidor expandia-se n'um bom e
largo sorriso de convencido; e entao--meu querido amigo! meu santo
poeta!--elle saudava com um enthusiasmo de creanca amoravel o que
elle chamava o meu triumpho! Nao hesitava em confessar-se vencido;
e congratulava-se commigo--porque eu o vencera inconscientemente.
A generosa alma chamava aquillo a minha superioridade!

Os campos a verdura dos prados e dos montes; a liberdade do homem
em meio da natureza livre: os seus sonhos amados; as suas realidades
amadas! Quando aquelle artista delicado quando aquelle poeta de
primeira grandeza julgava em raros momentos sacrificar a Arte aos
seus gostos de lavrador e de homem pratico succedia que as cousas
do campo da vida pratica assimilavam a fecundante seiva artistica
do poeta: e entao dos fructos alevantavam-se aromas que disputavam
foros de poesia aos aromas das flores. O mesmo sopro bondoso e
potente agitava e fecundava os milharaes e as violetas e os trigaes
e as rosas! A bondade summa esta no poeta--mais visivel pelo menos
do que em Deus.

Artista--e de alta plana! Eu pude vel-o cioso de seus direitos e
reivindicando-os com tanto de ingenuidade quanto de vigor. E pois
que um ligeiro esboco precedendo mais detido trabalho estou
elaborando sobre os tracos mais salientes d'aquella individualidade
nao me dispensarei d'esta indicripcao:

Ha dois mezes escrevia-me Cesario Verde: "O Doutor Sousa Martins
perguntou-me qual era a minha occupacao habitual. Eu respondi-lhe
naturalmente: Empregado no commercio. Depois elle referiu-se a
minha vida trabalhosa que me distrahia etc. Ora meu querido amigo
o que eu te peco e que conversando com o dr. Sousa Martins lhe
des a perceber que eu nao sou o sr. Verde empregado no commercio.
Eu nao posso bem explicar-te; mas a tua amizade comprehende os meus
escrupulos: sim?..."

E eu fui a beira de Sousa Martins e perguntei-lhe se o poeta Cesario
Verde podia ser salvo. O grande e illustre medico tranquilisou-me
--e apunhalou-me em pleno peito:--Que o poeta Cesario Verde estava
irremediavelmente perdido!

Meu poeta! Meu amigo! Tu estavas condemnado no tribunal superior
quando eu te mentia e ao publico e a mim proprio: estavas condemnado
meu santo! Mas podia viver tranquillo o teu orgulho de artista: o
teu medico sabia que o poeta Cesario Verde eras tu proprio meu
pallido agonisante illudido!

A esthesia o processo artistico e a individualidade d'este admiravel
e originalissimo poeta merecem a Critica independente uma attencao
desvelada. Eu nao hesito em vincular o meu nome a promessa de um
tributo que a obra de Cesario Verde esta reclamando.

* * * * *

E todavia nao pode o meu espirito evadir-se a idea consoladora de
que e um sonho isto que o entenebrece! Nao podes evadir-te o meu
espirito amargurado! mas eu vou libertar-te para a dor!

Foi as cinco da tarde--ainda agora. Caia o sol a prumo sobre a
estrada do Lumiar e nos vinhamos arrastando a nossa miseria--nos
os vivos; o morto arrastava a sua indifferenca. Chegamos com duas
horas de amargura alli ao porto de abrigo e de descanco. Veio o
ceremonial tragico o latim o encerramento. Caso de uma eloquencia
terrivel: Entre algumas dezenas de homens nao houve uma phrase
indifferente--e em dado momento explosiram solucos n'um enternecimento
que ageitava a loira cabeca do cadaver la dentro do caixao--como
as maos da mae lh'a ageitaram infantil no travesseiro ha vinte
e quatro annos e moribunda ha vinte e quatro horas!

Eram sete horas da tarde o minha alma triste! Eu fui-me a chorar
velhas lagrimas de gelo avocadas por lagrimas de fogo recemnascidas.
Fui-me por entre os tumulos a pedir ao meu Deus de ha trinta annos
que que me desse forca que me desse forca nova--pois que se
prolonga o captiveiro! E a sos caminhando por entre os tumulos
ao cair da noite pareceu-me comprehender que nos recebemos forca
nova em cada nova dor para soffrermos de novo--do mesmo modo que
o alcatruz de uma nora se despeja para encher-se para despejar-se
--sem saber porque...

20 de Agosto

* * * * *

A morada nova do Cesario e de pedra e tem uma porta de ferro com
um respiradouro em cruz;--rua n. 6 do cemiterio dos Prazeres. A
porta esta um arbusto da familia dos cyprestes--um brinde ao meu
querido morto. Eu offerecera uma palmeira que o vento esgarcou ao
terceiro dia e tive de escolher uma especie resistente ca da
minha raca--funebre e resistente. Esta verdejante e vigorosa a
pequenina arvore e de longe e uma sentinella perdida da minha doce
amizade religiosa. De longe vou ja perguntando a nossa arvore:--Esta
bom o nosso amigo?... E ella inclina os pequeninos trocos com a
gravidade do cypreste:--Bem; nao houve novidade em toda a noite...

E que eu vou pelas tardes visital-o; e saber como elle passou e
todo um meu cuidado como e toda a minha alegria o bem-estar
d'aquella hora em que nao ha risos. Nao fomos risonhos--o Cesario
e eu. As nossas horas de convivencia foram tristes e severas. Depois
da morte do Cesario eu deixei de viver nos dominios onde elle sentira
consolacoes alentos esperancas onde elle imaginara renascimentos
horisontes claridades novas. Nunca mais publiquei uma palavra que
se lhe nao consagrasse--ao meu querido morto. Em face d'aquelle
cadaver eu senti alastrar-se no meu pobre ser fatigado o bem-amado
desprezo da vida. O meu santo esta alli--esta resignado: e tudo.
Vos todos que o amastes sabei que elle esta resignado--o nosso
querido morto impassivel!

E n'uma dessas tardes alguns dias depois da sua morte eu aproximei
da porta de ferro a minha pobre cabeca esbrazeada e olhei para
dentro do jazigo involuntariamente; e entao como quer que eu
visse la a dentro do jazigo alguns caixoes arrumados e como eu
acertasse em descobrir o caixao do Cesario os solucos despedacaram-se
contra a minha garganta n'uma affliccao immensa e cruel. E foi
entao que a voz rouca e enfraquecida do Cesario--lembram-se da voz
d'elle?--pronunciou distinctamente la a dentro do caixao:--"Se
natural meu amigo; se natural!"

Era a voz do Cesario; era a sua voz tremente e doce o meu sagrado
horror inconsciente! Debrucei-me contra a porta do jazigo e suppliquei
n'uma angustia:--"Fala! Dize! Falla outra vez meu amigo!" Nao se
reproduziu o doloroso encanto. Apenas uma especie de marulho brando
um arrastar de folhagem resequida--e o morto na paz da Morte!

Vao ja decorridos dez annos sobre um periodo de alguns mezes serenos
da minha via dolorosa. Eu viera a conquistar a certeza de que nao
havia luz misericordiosa para a noite que me vem acompanhando e
torturando os olhos avidos desde o berco a sepultura redemptora.
Cheguei aqui a cidade maldita da minha primeira hora e trazia o
sonho de uma aurora pacifica de vida nova no meu pobre espirito
illudido. A aurora fez-se com um desabamento de esperancas: a
crueldade bestial que se debrucara sobre o meu primeiro dia nao
estava arrependida nem fatigada: a perseguicao renasceu. E quando
eu no singular desespero dos esmagados em sua crenca pensei na
Morte como no abrigo antecipado--querido abrigo inevitavel!--a voz
de Cesario foi a voz evocadora para a continuacao do soffrimento
--do soffrimento amparado e protegido...

Protegido! A proteccao foi a maior da grande alma serena para a
pobre alma abatida: foi de lagrimas que se confundiram com as minhas
lagrimas; foi aquelle sorriso triste de resignacao consagrado as
minhas amarguras--que para o Cesario nao foram mysteriosas; foi o
aperto de mao robusto na vertigem do combate; foi a voz firme e
severa na hora dos desfallecimentos; foi o reflexo permanente que
a minha angustia encontrou na sua.

Ah santo! Ah meu santo! Ah meu puro e meu grande! Ah meu forte!
Vae-se na corrente desfallecido se nos nao troveja nos ouvidos a
voz reanimadora! Vae-se na corrente--que o sei eu! Mas tu depois
do grito salvador tinhas um applauso vibrante la do fundo da tua
grandeza e da tua generosidade. E tu sabias que me salvara a tua
mao a tua palavra a tua alma de justo a tua face que eu nao
quizera ver contrahida e severa retraindo-se perante o quadro
da minha fraqueza! Tu bem o sabias--forte bom generoso nobre
sempre bom--e todavia sempre justo!

A crise mais feroz atravessei-a pois abrigado--abrigado pela sua
voz amiga. Eu tive de luctar com a lenda de rebelliao com a
desconfianca dos homens praticos com o odio dos pequeninos malvados
offendidos em seus orgulhos e desmascarados em suas hypocrisias:
conseguintemente com a suppressao do trabalho--do pao--com a
calumnia com a intriga com todas as armadilhas a minha colera
com todas as ciladas a minha fe... Ah perdidos em paiz de Cafres!
Mal conceberieis o horror de uma lucta como aquella de todos os
dias de dez annos em paiz de conta aberta no bazar da Civilisacao!

Hoje o meu santo amigo esta alli em baixo na sua morada nova
esperando... Espera que eu va dizer-lhe dos horisontes novos abertos
a consciencia dos justos; espera que eu va dizer-lhe as victorias da
Justica absoluta--da Justica illuminada e serena;--espera que eu va
dizer-lhe as victorias do Trabalho da Razao da Sciencia da
Sinceridade do Amor: os homens reconciliados esclarecidos a
Natureza convertida em Progresso Deus explicado o Futuro illuminado
a Vida possivel A Mulher fortalecida o Homem abrandado as luctas
supprimidas o concerto da Terra desentranhando-se em harmonias
reconhecidas a Bondade convertida em norma os Direitos e os Deveres
supprimidos pela Igualdade: os seus sonhos a sua fe o seu horisonte
o seu amor!

Esta alli em baixo esperando... Eu mensageiro triste nao saberei
dizer-lhe o ascender dos espiritos e so poderei levar-lhe no meu
abatimento a demonstracao da minha pouca fe aggravada pela espantosa
amargura d'estes ultimos dias--d'estas ultimas horas. As visoes
do poeta hao de emmurchecer confundidas com as ultimas rozas que a
minha pobre mao tremente e desfallecida lhe depora no tumulo e os
restos da minha fe hao-de misturar-se com o po accumulado a entrada
do seu tumulo pelo Nordeste--menos frio do que a minha alma succumbida!

* * * * *

Silva Pinto.

Os versos

I

CRISE ROMANESCA

DESLUMBRAMENTOS

Milady e perigoso contemplal-a
Quando passa aromatica e normal
Com seu typo tao nobre e tao de sala
Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que n'isso a desgoste ou desenfade
Quantas vezes seguindo-lhe as passadas
Eu vejo-a com real solemnidade
Ir impondo toilettes complicadas!...

Em si tudo me attrae como um thesoiro:
O seu ar pensativo e senhoril
A sua voz que tem um timbre de oiro
E o seu nevado e lucido perfil!

Ah! Como m'estontea e me fascina...
E e na graca distincta do seu porte
Como a Moda superflua e feminina
E tao alta e serena como a Morte!...

Eu hontem encontrei-a quando vinha
Britannica e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal sempre sosinha
E com firmeza e musica no andar!

O seu olhar possue n'um fogo ardente
Um archanjo e um demonio a illuminal-o;
Como um florete fere agudamente
E afaga como o pello d'um regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo
E mostre se eu beijar-lhe as brancas maos
O modo diplomatico e orgulhoso
Que Anna d'Austria mostrava aos cortezaos.

E emfim prosiga altiva como a Fama
Sem sorrisos dramatica cortante;
Que eu procuro fundir na minha chamma
Seu ermo coracao como um brilhante.

Mas cuidado milady nao se afoite
Que hao-de acabar os barabaros reaes;
E os povos humilhados pela noite
Para a vinganca agucam os punhaes.

E um dia o flor do Luxo nas estradas
Sob o setim do Azul e as andorinhas
Eu hei-de ver errar allucinadas
E arrastando farrapos--as rainhas!

SEPTENTRIONAL

Talvez ja te esquecesses o bonina
Que viveste no campo so commigo
Que te osculei a bocca purpurina
E que fui o teu sol e o teu abrigo.

Que fugiste commigo da Babel
Mulher como nao ha nem na Circassia
Que bebemos nos dois do mesmo fel
E regamos com prantos uma acacia.

Talvez ja te nao lembres com desgosto
D'aquellas brancas noites de mysterio
Em que a lua sorria no teu rosto
E nas lages que estao no cemiterio.

Quando a brisa outonica como um manto
Os teus cabellos d'ambar desmanchados
Se prendiam nas folhas d'um acantho
Ou nos bicos agrestes dos silvados

E eu ia desprendel-os como um pagem
Que a cauda solevasse aos teus vestidos;
E ouvia murmurar a doce aragem
Uns delirios d'amor entristecidos;

Quando eu via invejoso mas sem queixas
Pousarem borbeletas doudejantes
Nas tuas formosissimas madeixas
D'aquellas cor das messes lourejantes

E no pomar nos dois hombro com hombro
Caminhavamos sos e de maos dadas
Beijando os nossos rostos sem assombro
E colorindo as faces desbotadas;

Quando ao nascer d'aurora unidos ambos
N'um amor grande como um mar sem praias
Ouviamos os meigos dithyrambos
Que os rouxinoes teciam nas olaias

E afastados da aldeia e dos casaes
Eu comtigo abracado como as heras
Escondidos nas ondas dos trigaes
Devolvia-te os beijos que me deras;

Quando se havia lama no caminho
Eu te levava ao collo sobre a greda
E o teu corpo nevado como o arminho
Pesava menos que um papel de seda...

E foste sepultar-te o seraphim
No claustro das Fieis emparedadas
Escondeste o teu rosto de marfim
No veu negro das freiras resignadas.

E eu passo tao calado como a Morte
N'esta velha cidade tao sombria
Chorando afflictamente a minha sorte
E prelibando o calix da agonia.

E tristissima Helena com verdade
Se podera na terra achar supplicios
Eu tambem me faria gordo frade
E cobriria a carne de cilicios.

MERIDIONAL

Cabellos

O vagas de cabello esparsas longamente
Que sois o vasto espelho onde eu me vou mirar
E tendes o crystal d'um lago refulgente
E a rude escuridao d'um largo e negro mar;

Cabellos torrenciaes d'aquella que m'enleva
Deixae-me mergulhar as maos e os bracos nus
No barathro febril da vossa grande treva
Que tem scintillacoes e meigos ceos de luz.

Deixae-me navegar morosamente a remos
Quando elle estiver brando e livre de tufoes
E ao placido luar o vagas marulhemos
E enchamos de harmonia as amplas solidoes.

Daixae-me naufragar no cimo dos cachopos
Occultos n'esse abysmo ebanico e tao bom
Como um licor rhenano a fermentar nos copos
Abysmo que s'espraia em rendas de Alencon!

E o magica mulher o minha Inegualavel
Que tens o immenso bem de ter cabellos taes
E os pisas desdenhosa altiva imperturbavel
Entre o rumor banal dos hymnos triumphaes;

Consente que eu aspire esse perfume raro
Que exhalas da cabeca erguida com fulgor
Perfume que estontea um millionario avaro
E faz morrer de febre um louco sonhador.

Eu sei que tu possues balsamicos desejos
E vaes na direccao constante do querer
Mas ouco ao ver-te andar melodicos harpejos
Que fazem mansamente amar e elanguescer.

E a tua cabelleira errante pelas costas
Supponho que te serve em noites de verao
De flaccido espaldar aonde te recostas
Se sentes o abandono e a morna prostracao.

E ella hade ella hade um dia em turbilhoes insanos
Nos rolos envolver-me e armar-me do vigor
Que antigamente deu nos circos dos romanos
Um oleo para ungir o corpo ao gladiador.

* * * * *

O mantos de veludo esplendido e sombrio
Na vossa vastidao posso talvez morrer!
Mas vinde-me aquecer que eu tenho muito frio
E quero asphyxiar-me em ondas de prazer.

...



 

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